Como fugir da inflação: 7 dicas para se proteger

Como fugir da inflação: 7 dicas para se proteger

2022-05-17 • Atualizado

A inflação não acontece do nada. Seu aparecimento sempre tem um motivo. Geralmente ela acontece por causa de erro humano e viés. Tudo que podemos fazer é preparar e lidar com os riscos e as consequências da inflação. Este curso intensivo trata dos motivos da inflação e das formas de se proteger dela.

O que é inflação?

A inflação mede a alta dos preços de bens e serviços na economia. Quando a inflação vem, ela encarece as necessidades, a exemplo da alimentação. Na maioria das vezes, a inflação prejudica a economia e piora a situação das pessoas. Mas de onde ela vem?

Vários fatores podem levantar os preços — a inflação — na economia. A inflação é tipicamente consequência de uma alta nos custos de produção ou na demanda por produtos e serviços. Outro sinal de inflação pode ser a alta dos preços das commodities, como petróleo e metais. Todavia, muitos pesquisadores rejeitam essa correlação. Veja nosso artigo sobre a relação entre o petróleo e os preços para entender melhor essa questão.

Um dos principais fatores (drivers) que estimulam a inflação são os chamados Cisnes Negros, acontecimentos imprevistos com impacto extremamente forte na economia. Podem ser guerras, desastres naturais ou pandemias, como no início de 2020. Os Cisnes Negros desorganizam as cadeias de abastecimento, gerando escassez nas prateleiras e provocando a alta dos preços. Após o começo da covid-19, o Federal Reserve (BC americano) imprimiu mais de 8 trilhões de dólares em menos de dois anos, colocando o mundo à beira de uma crise econômica que deve começar em menos de um ano.

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Fonte: Bloomberg

A inflação corrói o poder de compra da moeda por conta da alta dos preços. Uma das reações previsíveis a essa queda no poder de compra é o raciocínio “melhor comprar agora do que depois”. Como o dinheiro vai perder valor, é melhor fazer logo a lista de compras e estocar aquilo que provavelmente não vai perder valor. Para a população, isso significa comprar mais hoje e menos amanhã. Para as empresas, significa fazer investimentos que possam render bem mais no futuro. Vejamos as formas possíveis de fugir da inflação.

Como se proteger da inflação?

Existem várias formas de tirar proveito da alta dos preços. Vejamos em detalhes cada uma.

Títulos de curto prazo

Vamos começar com estes instrumentos porque eles têm muito em comum com os títulos do mercado monetário. Títulos do mercado monetário são títulos da dívida de curto prazo (ex.: títulos dos Treasuries, nos EUA, e do Tesouro Nacional, no Brasil) e outros investimentos de renda fixa de curto ou curtíssimo prazo. Os investidores consideram este grupo como o mais seguro por conta da alta liquidez e da baixa volatilidade. Para esclarecer, vamos a mais uma explicação: os títulos são emitidos por governos ou empresas para arrecadar dinheiro para projetos e atividades. Eles têm risco mais baixo, se comparados à bolsa, mas seu rendimento é menor.

E os títulos de curto prazo? Também são emitidos pelo governo ou por empresas e rendem menos que os de longo prazo. Contudo, os títulos de longo prazo tendem a perder sua eficácia com a chegada da inflação alta, pois o aumento dos preços diminui o valor obtido. Exemplo: você tem um título de longo prazo que rende 100 dólares por ano. Com 10% de inflação, você estaria comprando 10% menos a cada ano, sem poder fazer nada a respeito. Os títulos de curto prazo são mais resistentes à inflação porque vencem mais rápido. Mesmo assim, não recomendamos se proteger da inflação com títulos porque eles muitas vezes dão rendimentos anuais negativos em cenários de alta inflação.

Bolsa: proteção de longo prazo contra a inflação

O próximo item da lista é a bolsa (ações). Se o mercado de títulos pode parecer complicado, a bolsa tem força suficiente para salvar você da inflação. A bolsa historicamente rende acima da inflação no longo prazo (10 anos ou mais).

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Observe que a bolsa americana registrou seu maior rendimento total nos últimos dez anos. Concordamos com a estimativa acima: estatisticamente, a bolsa vai bem. Quem quer proteger seu dinheiro da inflação deve investir em ações. Sugerimos procurar por empresas que são sempre bem-vistas no mercado, a exemplo das que lidam com varejo e extração de matérias-primas e dos bancos. Com a FBS, você pode investir na Alcoa (ALCOA), 3M (MMM), McDonald's (MCDONALDS), JPMorgan (JPM) e várias outras empresas. Consulte a lista completa na página de negociação de ações.

Ouro em tempos de inflação de longo prazo

O ouro é um ativo de refúgio — as pessoas confiam nele. Os motivos dessa confiança fazem sentido: existe uma quantidade limitada de ouro no planeta, ao passo que a quantidade de dinheiro é ilimitada. Este é o motivo da constante valorização do ouro. Assim se mede a inflação: a desvalorização do dinheiro significa que você pode comprar cada vez menos com uma mesma quantia. Compare essa dinâmica com a do ouro, cuja oferta não cresce na mesma velocidade.

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O preço do ouro geralmente sobe com a inflação, então ele é um dos melhores ativos em tempos de alta dos preços. Observe, porém, que o ouro não sobe no mesmo tempo que a inflação: como há uma defasagem entre um e outro, o ouro é uma proteção eficiente contra a inflação no longo prazo.

Títulos indexados à inflação (TIPS)

Os TIPS (treasury inflation-protected securities) são uma modalidade de título do Tesouro americano emitido pelo governo dos EUA. Os TIPS são indexados à inflação para proteger os investidores de uma queda no poder de compra da moeda nacional. Basicamente, são títulos (obrigações) que acompanham a subida da inflação e cujo rendimento acompanha a variação do valor principal (inicial) desses títulos (no Brasil, o Tesouro IPCA é um exemplo comparável).

Os TIPS pagam seus rendimentos duas vezes por ano (juros semestrais) e podem ser adquiridos em bancos. Além disso, você pode optar por manter os TIPS até o vencimento (encerramento) ou vendê-los antecipadamente — os EUA emitem TIPS com prazos de 5 a 30 anos. Vejamos os rendimentos de títulos indexados à inflação.

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Mesmo os TIPS sofrem com a alta dos preços: o gráfico está há quase um ano registrando queda. Não recomendamos buscar proteção contra a inflação neste ativo.

Commodities

Já falamos do ouro neste artigo, então vamos nos concentrar em outra commodity também importante: o petróleo. Aumentos nos preços do petróleo costumam rebaixar as projeções do crescimento econômico e aumentar as expectativas da inflação a curto prazo. Perspectivas de crescimento econômico mais contido, por sua vez, rebaixam as projeções de faturamento das empresas, esfriando as cotações na bolsa. Mas isso é teoria.

Não existe prova definitiva de que a alta dos preços é um fator altista para o petróleo. Abordamos essa questão no artigo Petróleo pode chegar a US$ 100: o que isso significa para o mercado e a inflação? Não deixe de conferir!

O petróleo reage à relação oferta-demanda, a problemas de logística e ao ritmo de crescimento econômico. Pode ser uma boa escolha para quem busca proteger seu dinheiro, mas só quando a economia vai bem. A alta dos preços, por si só, não levanta o XBRUSD ou o XTIUSD. Por outro lado, a alta do consumo estimula o petróleo. É recomendável investir no petróleo quando a economia sai de uma recessão.

Criptomoedas

As criptomoedas são bem voláteis e suas correlações com diversos ativos mudam frequentemente. Ainda assim, algumas criptomoedas podem servir como proteção contra a inflação, mas é necessário escolher com sabedoria. As criptomoedas mais adequadas à proteção contra a inflação são aquelas cuja própria inflação é controlável. Exemplo: o Bitcoin tem uma inflação anual de 1,25% que vai diminuir com o tempo. O Ethereum tem uma inflação menos controlável por causa da natureza dessa criptomoeda. Todavia, o Ethereum é em boa parte do tempo um ativo deflacionário, ou seja, a oferta da moeda diminui.

O mercado cripto é relativamente jovem e ainda não passou por grandes crises econômicas. Este ano vai mostrar as oportunidades oferecidas pelas criptos.

Empréstimos alavancados

Empréstimo alavancado é um tipo de empréstimo feito a pessoas físicas ou jurídicas que já apresentam considerável endividamento. É como a alavancagem de uma corretora Forex, mas na vida real. Com a alta dos juros, mais investidores estão migrando para o mercado de empréstimos alavancados. US$ 27,8 bilhões saíram da bolsa em 2020, enquanto US$ 13,1 bilhões voltaram para o mercado de empréstimos alavancados no primeiro trimestre de 2021.

Os empréstimos alavancados podem oferecer uma defesa contra a inflação porque têm correlação negativa com os títulos do Tesouro americano (Treasuries) de 5 e 10 anos. Logo, eles ficam mais baratos quando o mercado precifica a recessão. É possível tomar um empréstimo alavancado enquanto ele está barato e investir o dinheiro no seu ativo de refúgio predileto (exemplo: ouro). Por favor, pense duas vezes antes de entrar no mundo dos empréstimos alavancados, pois eles são instrumentos arriscados.

Principais dúvidas sobre ativos que se saem bem em tempos de inflação

O ouro é uma boa proteção contra a inflação?

O ouro tende a subir quando o dólar cai. O USD perde força em tempos de inflação alta. Logo, o ouro pode sim servir de proteção contra a alta dos preços.

As ações protegem o investidor da inflação?

As ações são mais voláteis que o ouro, e alguns setores da bolsa (ex.: setor tecnológico) sofrem com a inflação. Por outro lado, os bancos e o setor varejista se dão bem e podem disparar junto com os preços.

O Bitcoin serve de proteção contra a inflação?

O mercado cripto é relativamente jovem e ainda não passou por grandes crises econômicas. Entretanto, o Bitcoin é uma criptomoeda cuja inflação é controlável. Assim, ele não fica sujeito a aumentos bruscos na oferta e pode ser usado como proteção contra a inflação.

O que acontece com o dinheiro em épocas de inflação?

Geralmente, o dinheiro perde valor em épocas de inflação. O motivo disso é a natureza da inflação, que é ligada a vários fatores, como a emissão descontrolada de dinheiro.

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